Acreditando nas melhores possibilidades
Vocês estão vendo estas fotos que fiz com o Chorão e a banda Charlie Brown Jr porque eu fracassei e estou muito cansado. Voltei a editar e mostrar estas fotos, agora em 2026, porque outras coisas não deram certo. Quando algumas coisas fracassam, não dão certo ou não têm o resultado que eu esperava, geralmente me vejo voltando para as imagens e as histórias do Charlie Brown Jr.
Talvez isso aconteça porque a minha história pessoal com o CBJR é uma longa jornada que ficou incompleta, não teve a entrega satisfatória dos compromissos assumidos ou a realização dos objetivos estabelecidos. Ou talvez porque a própria história do CBJR é feita de pontos altos, períodos baixos e muita superação.
Toda vez que lembro disso, a cabeça fica cheia de pensamentos sobre tantas imagens que nunca foram vistas pelo público e tantas histórias que nunca foram contadas.
Uma vez, eu disse ao Chorão que queria bater nele. Uma vez, o Thiago chegou na minha casa com uma televisão nova. Uma vez, o Marcão me ensinou algo importante que nunca esqueci. Uma vez, dei um livro do Deepak Chopra para o Heitor e outra vez dei o mesmo livro para o Champignon. Uma vez, me senti acolhido quando o Graveto me apresentou seus melhores amigos de Santos. Uma vez, fiz o Pinguim mergulhar numa piscina de bolinhas infantil para fazer umas fotos. Uma vez, fui no clube que o Pelado tinha em Santos, mas não lembro exatamente o que aconteceu naquela noite.
Quando digo que fracassei e estou cansado, quero dizer que é realmente muito frustrante, depois de todos estes anos, não ter conseguido, ainda, vencer a burocracia e realizar uma grande exposição com o acervo de fotos e vídeos do Charlie Brown Jr, uma produção com conteúdo e direcionamento autênticos, que represente o verdadeiro significado da música e da história do CBJR na vida das pessoas.
Durante os últimos 10 anos tenho trabalhado basicamente com registros documentais em audiovisual na área de cultura. Além disso, fiz uma imersão no universo dos Fotolivros como linguagem e suporte essencial para a fotografia, participando de eventos e ações em vários locais do Brasil, e criei o Núcleo de Estudos da Fotografia e dos Fotolivros, disponibilizando um acervo de Fotolivros e publicações impressas para visitação e pesquisa, em ITU - SP, incentivando a produção de fotozines como primeiro passo no caminho dos Fotolivros.
Desde a época em que registrei o CBJR durante sete anos (como um profissional conquistando espaço no instinto), até os dias de hoje em 2026, minha maior satisfação é a sensação de evolução ao produzir novas imagens e narrativas visuais que traduzem e expressam todos estes anos de novos aprendizados e práticas em termos de conceito, técnica e arte na fotografia, atento a intuição e ao entusiasmo.
Enquanto toco em frente minhas atividades profissionais e meus projetos pessoais, o tema “Acervo CBJR” está sempre presente, seja na evolução e garantia dos meus direitos autorais por meio de assessoria jurídica, seja nos diálogos constantes com as pessoas diretamente relacionadas a este acervo, ou seja para tratar da colaboração em várias outras produções que estão andamento e muito em breve poderão ser divulgadas para o público.
Algumas pessoas questionam: Por que continuar voltando a isso depois de tantos anos? Por que não desapegar disso e deixar a vida fluir por outros caminhos? Por que insistir e persistir?
O tempo passa rápido. O público do Charlie Brown Jr cresce e se renova. Grande parte do novo público terá oportunidade de ver apenas “versões” do que foi a história do Chorão e do Charlie Brown Jr, quase sempre alguma produção SOBRE a banda, mas nunca uma produção feita COM Chorão e Charlie Brown Jr. Os novos fãs serão apresentados a conteúdos que passam por MUITOS filtros com as necessidades ou diversos interesses de produtoras, roteiristas, atores, diretores, editores, curadores.
Meu compromisso é outro: é com o conteúdo original e autêntico que realizei COM Chorão e Charlie Brown Jr ao longo de muitos anos e que continua preservado e aguardando as liberações necessárias para chegar ao público da melhor forma, no melhor espaço e no melhor momento possível.
Sim, eu fracassei e estou cansado, porque isso até agora não aconteceu. Mas não desisti. Sempre me pareceu, até agora, que tudo ainda é possível, enquanto eu não desistir, enquanto eu acreditar. Isso é apego? Isso é não soltar?
Talvez realmente seja. Estamos atravessando um tempo de muitas guerras internas e externas, um tempo de muitos conflitos, muitas mudanças e transformações. Em algum momento não restará mais nada a não ser soltar, deixar ir. Em algum momento nenhum de nós estará mais aqui para brigar, negar, lutar ou defender seja lá o que for. Estar pronto para este momento de soltar não é sentir-se como quem desistiu, mas sim respirar como quem desapegou, e como quem aceita e sabe que não haverá volta.
Enquanto continuo acreditando nas melhores possibilidades, estou revisitando o arquivo CBJR e escrevendo 36 histórias para 36 fotos com Chorão e Charlie Brown Jr, especialmente selecionadas. [Jerri Rossato Lima]


